Notícia


RECOMENDAÇÕES PARA O MANEJO DOS PACIENTES COM SMD

Atualizado em: 06/04/2020


Publicado em 06/04/2020 10h50 | Atualizado em 06/04/2020 10h50

A Sociedade Brasileira de Medula Óssea (SBTMO) elaborou recomendações para o manejo de pacientes com síndrome mielodisplásica em programas de Transplante de Medula Óssea (TMO) pré, durante e pós procedimento. 

A síndrome mielodisplásica (SMD), consiste em um grupo de diversos distúrbios da medula óssea que resultam na produção insuficiente de células sanguíneas saudáveis.  A idade é um fator de risco para a SMD, o que a torna uma doença primariamente dos idosos (a maioria dos pacientes tem mais de 65 anos), mas também pode afetar pacientes mais jovens. 

Por isso, alguns cuidados se fazem necessários. Confira abaixo. 

1) Pacientes com SMD são tão suscetíveis à Covid-19 quanto um idoso que não tenha o distúrbio 

Como temos observado no comportamento do SARs-COV-12, o vírus responsável por causar a Covid-19, os idosos integram o grupo considerado de maior  risco de desenvolver complicações e índice de letalidade mais alto. 

Isso se deve, sobretudo, a um fenômeno conhecido como imunossenescência, que consiste no declínio natural da imunidade do organismo que ocorre na medida em que envelhecemos. Com a baixa das defesas, o idoso pode se tornar mais suscetível às complicações do novo coronavírus. 

Mas será que idade avançada associada a diagnóstico de SMD podem aumentar o risco? A literatura médica mostra que inexistem dados que indiquem que pacientes com SMD, em função da dismielopoese ou alterações imunes , sejam mais susceptíveis a Covid-19 que um idoso sem o distúrbio da medula óssea. 

A neutropenia ou disfunção do neutrófilo, está mais associada a infecções bacterianas ou fúngicas, do que às infecções virais, como a SARS-COV-2. No caso de haver infecções virais em pacientes com neutropenia, estas aumentam o risco de infeções bacterianas 

Portanto, conclui-se que pacientes com SMD são tão suscetíveis à Covid-19 quanto um idoso que não tenha o distúrbio. 

2) A vacina contra os vírus da gripe influenza está recomendada

Pacientes com SMD devem tomar a vacina contra o vírus influenza como medida de imunização contra a de gripe. Observe o esquema do calendário vacinal do Ministério de Saúde e procure um serviço para se vacinar.

Lembramos que a vacina contra a influenza deve ser tomada todos os anos. Portanto, mesmo aqueles que foram vacinados no ano passado, devem fazê-lo novamente. Isso porque a cada ano há uma atualização da vacina, de acordo com as novas cepas do vírus, aumentando a segurança da população. Idosos e profissionais da área da saúde já podem se vacinar. Demais parcelas da população, consulte as datas no site do Ministério da Saúde

3) Em quais casos pode haver risco aumentado de infecções virais?

Pacientes que realizaram o transplante de medula óssea autólogo (com células do próprio paciente) recente ou no último ano, tem mais risco de infecções virais, tais como CMV, BKV, EBV, Herpes vírus tipo 6. 

No caso da Covid-19, por ser uma doença “nova” no mundo, as evidências existentes até o momento sugerem que talvez o risco de infeção pelo SARS CoV-2 dependa da exposição do paciente ao vírus (contato direto ou indireto com o vírus). É possível que, devido a maior imunossupressão nos primeiros meses do TMO, que casos de COVID se manifestem de forma mais agressiva, sobretudo, no período inicial da doença, que é quando a virologia do novo coronavírus aumenta no organismo. 

Entretanto, ainda assim, deve-se analisar caso a caso se deve ser suspendido o uso dos medicamentos imunossupressores. Há estudos que tem demonstrado impacto positivo, sendo assim, o indicado é analisar individualmente o paciente. 

4) Conduta terapêutica em pacientes com SMD de alto e baixo risco 

O tratamento de pacientes com SMD de baixo risco ( R-IPSS < 3,5) deve continuar sendo conservador, evitando-se na medida do possível consultas médicas presenciais e transfusões sanguíneas. O uso de agentes estimulantes da eritropoese Ex: Eritropoetina , devem ser mantidos . 

Na SMD de alto risco (R-IPSS>3,5), o tratamento com hipometilante, na dose habitualmente preconizada, deve ser mantido ou iniciado. 

Pacientes com deleção do 5q-, em uso de lenalidomida, devem manter tratamento normal , podendo ser discutido suspensão caso apresentem queixas respiratórias sugestivas de infecção viral, devendo devendo colher exame para Covid-19. Risco de pneumonite por hipersensibilidade. 

5) Critérios para realização do transplante de células-tronco durante a pandemia

A indicação do transplante de células-tronco autólogo e alogênico devem seguir os critérios de realização, caso haja urgência em fazê-lo e, se exequível, não deve ser postergado, respeitando normas da SBTMO, ASTCT e EBMT de testagem de doadores e pacientes assintomáticos para o SARS CoV-2. (leia as recomendações internacionais aqui

Confira as recomendações da SBTMO para reduzir o risco de infecção pelo vírus “SARS CoV-2”, no ambiente do transplante de células-tronco hematopoiéticas. Acesse aqui

6) Critérios para transfusão de Hemácias e Plaquetas

Devem ser considerados condições clínicas e histórico de cada paciente na decisão da transfusão de hemácias. Não usar somente níveis de hemoglobina, mas também sintomatologia para a tomada de decisão. Lembrar do PBM (Patient Blood Management).

No caso de plaquetas, transfundir se plaquetas < 10.000/mm3 em pacientes assintomáticos ou independente da contagem em pacientes com sangramento ativo. 

7) O que fazer em caso de Neutropenia Febril?

Na ocorrência de neutropenia febril, devemos conduzir como de costume. Caso haja queixas ou alterações respiratórias sugestivas (tosse, dispneia, hipoxemia ou dor de garganta), colher teste para Covid-19. 

8) O que os pacientes em programas de TMO precisam saber?

Caso seu paciente tenha duvidas de como proceder, você pode além de esclarecer as especificidades acima, ligadas à SMD, indicar que ele acesse as “recomendações da SBMTO para os Pacientes em Programas de Hematologia e Transplante de Medula Óssea (TMO) se prevenirem da COVID-19” 

Caso você tenha ainda alguma dúvida no manejo dos pacientes com SMD, pode entrar em contato via comunicacao@sbtmo.org.br e enviar seu questionamento, colocando no Subjetc “Covid-19 – SMD”

 

*Este material foi elaborado por Fernando Barroso, hematologista, diretor da SBTMO e especialista em TMO para SMD, com suporte da hematologista e infectologista, Clarisse Machado, que é referência mundial em infecções virais em pacientes transplantados, a pedido da SBTMO.  Na medida em que houver novas informações, atualizaremos estas recomendações.

Referências 

ASH. COVID-19 and Myelodysplastic Syndromes: Frequently Asked Questions. Disponível em https://www.hematology.org/covid-19/covid-19-and-myelodysplastic-syndromes

AAMDS. Guidance for Bone Marrow Failure Patients to Protect Against Coronavirus (COVID-19). https://www.aamds.org/education/covid-19

MDS Foundation. Coronavirus (COVID-19) and MDS. https://www.mds-foundation.org/mds-and-coronavirus-covid-19/

SBTMO. Recomendações da SBMTO para os Pacientes em Programas de Hematologia e Transplante de Medula Óssea (TMO) se prevenirem da COVID-19. Disponível em https://sbtmo.org.br/saibamais/-o-que-pacientes-em-programa-de-hematologia-e-transplante-de-medula-ssea-precisam-saber

SBMTO. Recomendações para reduzir o risco de infecção pelo vírus “SARS CoV-2”, no ambiente do transplante de células-tronco hematopoiéticas. Disponível em http://bit.ly/sbtmo-coronavirus-recomendacao-infeccao-tcth

SBTMO. Pacientes em programas de TCTH e CART-T que tenham urgência para realizar os procedimentos devem realizar o teste PCR para detecção do vírus SARS-COV-2. Confira as recomendação atualizadas no dia 23 de março, pela ASTCT e EBMT. https://bit.ly/sbtmo-boletim-24-02-atualizacoes

 



QUERO RECEBER NOVIDADES



SBTMO 2019 - Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por Purpose Agency